Autor: Monique Prada

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Montse Neira: “Se nós, putas, falássemos, a instituição idílica do casamento entraria em colapso”

Montse Neira, 52, exerce a prostituição há 22 anos e acaba de desvelar sua vida em um livro. “Apesar de não ser uma profissão idílica”, diz ela, permitiu-lhe “que saísse da pobreza, fosse feliz e estudasse.”
Neira, que há poucos anos formou-se em Ciência Política na Universidade Autônoma de Barcelona, explica: “As prostitutas são mulheres como as outras, com os mesmos desejos e necessidades, com a nossa família, os nossos filhos e os nossos problemas, e nosso único pecado é o desejo de deixar de ser pobre.”

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Combatendo o estigma

20 atitudes sutilmente preconceituosas que você pode ter sem nem perceber

Das melhores coisas que me aconteceram durante este período em que estive trabalhando como prostituta, e me expondo, mantendo pouco segredo e distância entre a minha vida pessoal e profissional, foram as amizades que conquistei. Conheci gente das mais diversas atividades e idades, seja nos programas, seja em eventos ou encontros de internautas. Conheci muita, muita gente legal mesmo – mas também aprendi assim que nem todas as pessoas que se aproximavam eram verdadeiramente isentas de preconceitos. Muitas simplesmente fascinadas pelo (que consideram ser) ‘underground’ ou pelo que de exótico conseguem perceber na figura de uma prostituta que escreve acabam se aproximando sem abrir mão de estereótipos e conceitos endurecidos do que pensam que somos. Da dificuldade de nos enxergarem como mulheres normais e iguais, que apenas exercem uma atividade diferente, acabam surgindo determinados comportamentos que em si trazem o preconceito velado.

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Combatendo o estigma

Toda trabalhadora sexual é filha de alguém

Elizabeth Nolan Brown, para The Dish
Ontem à noite, um grande amigo me disse que estava lendo meus posts sobre a descriminalização do trabalho sexual. “Eu sou simpático a isso”, disse ele. “E eu quero concordar com você. Mas continuo pensando, ‘e se fosse minha filha?’ Isso é, tipo, o pior pesadelo de qualquer pai.” Meu amigo não tem uma filha, deixe-me deixar claro. Ele também é uma das pessoas mais sexualmente liberais que eu conheço. Mas ainda que a sua atitude seja desencorajadora, não me surpreende. Esta é a cultura machista em que vivemos.

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Combatendo o estigma

Estatísticas zumbis sobre trabalho sexual

Brooke Magnanti
Como ex-acompanhante, posso dizer com certeza que quase tudo o que se sabe, ou pensa que se sabe, sobre o dinheiro envolvido no trabalho sexual é errado. E, como ex-estatística, eu sei que os números definitivamente são. No mês passado, o Escritório do Reino Unido para Estatísticas Nacionais divulgou planos para adicionar cálculos para as contribuições do trabalho sexual e venda de drogas ao PIB, como já acontece em vários outros países. O total que sugeriu? A impressionante soma de £ 10 bilhões por ano.

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