Amara em mim – E se eu fosse puta?

E então, finalmente, terminei de ler o livro de estreia de Amara Moira, E se eu fosse puta? – lançado em agosto pela editora Hoo.
Em meio a um voo bastante turbulento – e eu, morrendo de inveja do parceiro da poltrona ao lado, imerso em sono tão profundo que chegava a roncar. Voo quase tão turbulento quanto tem sido minha vida desde que entrei no putativismo. Amara me fazendo companhia, e eu mergulhando em suas histórias como a aeronave mergulhava em nuvens carregadas, para em seguida voltar a navegar firme e tranquilamente.

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E se eu fosse puta? A escrita como provocação

Por Henrique Marques Samyn

A elevada qualidade do livro de Amara Moira transparece já no texto que abre E se eu fosse puta: ali se faz presente toda a pluralidade temática que perpassa os escritos reunidos na obra. A ansiedade da estreia nas ruas; a tensa relação com os clientes – oscilando entre o prazer e o perigo, para usar a expressão consagrada pelo título do crucial volume organizado por Carole Vance; a experiência de construção (por vezes catártica, por vezes dolorosa) de novos modos de exercício da sexualidade; enfim, o relato de um tornar-se que traz à tona vivências e prazeres que os guardiões dos bons costumes preferem relegar às sombras, onde podem conhecê-los sem colocar em risco uma reputação alicerçada na hipocrisia.

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Dia Internacional de Luta por Direitos das Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais

NÃO É TRABALHO mas milhões de pessoas vivem dele, estabelecendo horários de atendimento, negociando honorários por período, negociando práticas envolvidas.
NÃO É TRABALHO mas milhões de pessoas ao redor do mundo sustentam suas famílias a partir do dinheiro que recebem nele.
NÃO É TRABALHO mas milhões de pessoas ao redor do mundo seguem nele por não ter melhor alternativa de renda, que contemple suas necessidades financeiras mínimas e caiba em seu tempo e condição.
NÃO É TRABALHO mas milhões de pessoas ao redor do mundo reivindicam que se reconheça sua condição de trabalho para que possam viver com um mínimo de dignidade e orgulho enquanto o exercem, ao invés de segregação e estigma.
NÃO É TRABALHO???

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Eu escrevi uma carta para você

Laura Lee
Você pode se reconhecer em algumas das coisas que estou prestes a dizer. Você pode não se reconhecer completamente – em todo caso, obrigada, amigo. Estou enormemente inspirada em Panti Bliss e seu maravilhoso filme “Rainha da Irlanda”, em sua luta pelo casamento igualitário para a comunidade LGBT e quero mostrar meu reconhecimento.
Hoje em dia, se revelar uma trabalhadora sexual é como se revelar um homossexual nos anos 1970, mais notadamente na Irlanda. Eu experiencio de tudo, da inquietação à minha volta até medo, ódio explícito e violência aberta. Putafobia, e o estigma intrínseco, podem matar.

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Marxismo para prostitutas

Magpie Corvid
Minha história é a mesma de muitos milhares de pessoas que se encontraram incapazes de encontrar trabalho estável e decentemente pago. Nossa história é sobre austeridade; nós estamos em todos os lugares, subsistindo através de escassos benefícios, empregos de meio período e alguns trabalhos ocasionais. Algumas de nós trabalham por conta própria; algumas de nós criam websites; algumas de nós consertam carros, e algumas de nós exercem trabalho sexual.

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O Mundo Invisível é um projeto de mídia livre que já está há quase quatro anos no ar. Ele tem por objetivo debater questões relativas ao trabalho sexual e aos direitos das trabalhadoras, desmistificando a atividade e combatendo o estigma e o preconceito. Através de conteúdo próprio ou matérias traduzidas, temos conseguido ao longo deste tempo todo amplificar as vozes em defesa dos direitos e dignidade das prostitutas, denunciando opressões e servindo como canal de comunicação com o mundo.

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Passinho à frente: a criação da CUTS

A Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais que acabamos de criar é a primeira entidade nacional que de fato agrega em sua composição trabalhadoras e trabalhadores sexuais na luta por direitos e cidadania. Não é um contraponto a nada. Não vem para dividir, senão para somar-se à luta. Não somos pioneir*s em um movimento que já completa mais de três décadas de luta só no Brasil.

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