Vigília por trabalhadoras sexuais assassinadas na Guiana

Em 27 de julho, em Georgetown, trabalhadoras sexuais da Guiana entraram em confronto com a polícia ao se reunir para uma vigília em homenagem a duas trabalhadoras sexuais transgênero que haviam sido assassinadas uma semana antes.

O confronto começou quando um grupo de policiais ordenou que as participantes do velório parassem de bloquear as ruas e, supostamente, fez comentários depreciativos às trabalhadoras sexuais reunidas. Miriam Edwards, diretora executiva da Coalizão de Trabalhadoras Sexuais da Guiana, grupo que integra a Rede Global de Projetos de Trabalhadoras Sexuais (NSWP), disse que foi ameaçada por um policial que lhe apontou a arma. O grupo disse que a reunião na Catedral de St. George havia sido pacífica até a polícia chegar e começar a se comportar “de modo arrogante”. O grupo cantou canções e trocou palavras com os policiais, questionando por que precisariam de permissão da polícia para realizar uma vigília.

As duas trabalhadoras sexuais, Jason (Jada) Samuels e Carl (Tyra) Sinclair, foram mortas a facadas nas ruas de Georgetown em 20 de julho. O criminoso ateou fogo a si mesmo e depois morreu das queimaduras.

Em carta ao Stabroek News, um(a) leitor(a) escreve que numerosas testemunhas relataram que seguranças privados (da empresa MMC) recolheram o assassino confesso depois de ele jogar gasolina em várias trabalhadoras sexuais, na tentativa de atear fogo a elas, e então o levaram para outro lugar, onde ele acabou matando Jada e Tyra.

A carta continua: “Forças privadas de segurança estão em toda parte na Guiana: na verdade, em algumas comunidades elas têm mais presença do que a polícia. Contudo, a não ser que eu esteja enganado (a), não é para a Força Policial da Guiana que todos os crimes têm que ser comunicados? Por que, então, os seguranças não levaram o (agora falecido) assassino imediatamente para a Delegacia de Polícia de Brickdam? Foi comunicado claramente a eles que esse indivíduo havia atacado várias pessoas nas ruas de Georgetown. Portanto, eu repito, por que os seguranças da MMC não levaram esse indivíduo obviamente violento e perigoso diretamente à Delegacia de Polícia de Brickdam?

“Será que o mandato dessas companhias de segurança privada lhes dá o direito de estar acima dos mecanismos básicos de aplicação das leis da Guiana? Ou a omissão aconteceu porque as pessoas sendo atacadas eram transgênero e/ou trabalhadoras sexuais?

“Todos os cidadãos da Guiana, inclusive as pessoas transgênero e aquelas engajadas em trabalho sexual, têm direito à segurança.”

Em 31 de julho, dezenas de pessoas foram à Funerária Sandy’s, em Georgetown, ao meio-dia da quinta-feira, para dizer adeus a Tyra. As pessoas foram levar suas condolências vestidas de preto e vermelho, com sapatos combinando – cores escolhidas para protestar contra o assassinato – e muitas também ostentavam pins em suas roupas, pedindo mais tolerância com a comunidade LGTB.

Jada deverá ser sepultada na segunda-feira, dia 4.

A reportagem Vigil Held for Murdered Guyanese Sex Workers foi publicada pela Global Network of Sex Work Projects (NSWP). Tradução de Renato Martins.