Combatendo o estigma

Não são nossos filhos!

Passeando pelos textos e comentários internet afora, observo que sempre no auge das indignações os autores escrevem “filho da puta”. Aliás, nas tretas da vida, toda a vez que se quer ofender, humilhar, rebaixar alguém, o chamam de “filho da puta” – como se fosse “imoral” ser filho daquela que sai de casa todos os dias para prestar seu serviço, trabalhar como qualquer outra trabalhadora para sustentar casa e família e assim, tentar dar aos seus a dignidade que a sociedade hipócrita e cruel insiste em dizer que não temos, por sermos putas.

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Tecnologia

A uberização da prostituição: profissionais falam de suas experiências com apps de encontros pagos

Stefanie Lohaus, para Motherboard
A internet, se não acabou com  a figura do intermediário, trouxe inovações para o mercado do sexo pago – do mesmo modo que para todos os outros ramos de negócio. Ainda raros no Brasil, onde as acompanhantes conquistam seus clientes pelo Tinder e o Happn, na Europa eles chegaram há alguns anos e pra ficar – enquanto durarem.

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Transfobia

Sangue em cima do sangue

Tô pêssega! O que se faz no banheiro? O que você faz no banheiro? Eu faço a mesma coisa que você: mijo, cago e, quando a situação está complicada, dou um tapa no visual. Coisas que qualquer ser humano faz, né?
Eu poderia até propor uma discussão, como você quer, mas prefiro continuar a passar meu batom cor de carmim aqui no espelho.

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CUTS - Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais

I Encontro de Profissionais do Sexo da Região Centro-Oeste – Inovando saberes

Começou ontem o I Encontro de Profissionais do Sexo da Região Centro-Oeste, em Campo Grande (MS). Sob o instigante título de “Mudando Hábitos, Inovando saberes – por uma política de saúde equânime para todas”, o encontro foi organizado pela ATMS (Associação das Travestis e Transexuais do Mato Grosso do Sul).

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Cultura

Amara em mim – E se eu fosse puta?

E então, finalmente, terminei de ler o livro de estreia de Amara Moira, E se eu fosse puta? – lançado em agosto pela editora Hoo.
Em meio a um voo bastante turbulento – e eu, morrendo de inveja do parceiro da poltrona ao lado, imerso em sono tão profundo que chegava a roncar. Voo quase tão turbulento quanto tem sido minha vida desde que entrei no putativismo. Amara me fazendo companhia, e eu mergulhando em suas histórias como a aeronave mergulhava em nuvens carregadas, para em seguida voltar a navegar firme e tranquilamente.

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Cultura

E se eu fosse puta? A escrita como provocação

Por Henrique Marques Samyn

A elevada qualidade do livro de Amara Moira transparece já no texto que abre E se eu fosse puta: ali se faz presente toda a pluralidade temática que perpassa os escritos reunidos na obra. A ansiedade da estreia nas ruas; a tensa relação com os clientes – oscilando entre o prazer e o perigo, para usar a expressão consagrada pelo título do crucial volume organizado por Carole Vance; a experiência de construção (por vezes catártica, por vezes dolorosa) de novos modos de exercício da sexualidade; enfim, o relato de um tornar-se que traz à tona vivências e prazeres que os guardiões dos bons costumes preferem relegar às sombras, onde podem conhecê-los sem colocar em risco uma reputação alicerçada na hipocrisia.

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