Cultura

A mãe e a puta

Juniper Fitzgerald
Eu pertenço a uma classe de pessoas conhecidas apenas como putas. Nossas sombras se derramam sobre paralelepípedos noturnos, nossas vidas existem em sobras de filmes de pernas e bundas. Somos sociopatas ou vítimas infantis, dependendo de para quem você pergunta. Nossas mortes são emolduradas por supostas evidências de passados excitantes, ainda que sujos; a violência contra nós é um exercício em inevitabilidade. E nas raras instâncias em que a prudência e a virtude nos permitem um respiro de intimidade não adulterada, mantemos um olho aberto por causa do medo de perder tudo.

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Direitos

Canadá: dominatrix com deficiência obtém indenização por dano cerebral

Andree Lau
“Eu sei tricotar. Você quer que eu me sente aí e tricote?”, Alissa Afonina diz, com um sorriso que poucos chegam a ver. Estamos encerrando nossa entrevista, em seu apartamento na área de Vancouver, e precisamos de algumas imagens a mais. Perguntamos sobre o balanço erótico em um dos quartos. “É como uma rede. Posso me sentar nele e ler”, ela explica. Nós aceitamos sua sugestão de filmá-la amarrando suas botas pretas com plataforma de 6 polegadas, que sobem até suas coxas. Afonina, 23, é uma dominatrix profissional que trabalha sob o nome Sasha Mizaree. Ela é paga para assumir o controle de um cliente submisso – tipicamente masculino – em sessões de papéis sadomasoquistas.

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Legislação

Espanha: em decisão inédita, juiz determina que trabalho sexual é trabalho

Pela primeira vez a Justiça espanhola reconhece que o trabalho sexual é trabalho e as pessoas que o exercem têm direitos. Assim, o Tribunal Social número 10 de Barcelona abriu as portas para que as trabalhadoras sexuais obtenham os direitos sociais que elas tanto exigem. Veja a reportagem do El Mundo sobre o caso, que atraiu a atenção de toda a imprensa espanhola e internacional.

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PutaFeminismo

“Não me digas que tenha um dia feliz”

As companheiras da Rede de Trabalhadoras Sexuais do Equador dão o recado:
Enquanto decidires que parte de meu corpo é digna para trabalhar e sustentar minha família, enquanto decidires o comprimento de minha saia ou a transparência de minha blusa, enquanto por causa de tua moral meu trabalho seja clandestino e eu tenha de me afastar de meus filhos para que tua discriminação não os prejudique diretamente; enquanto enriqueceres com meu trabalho e meus direitos mais elementares sejam negados – não me digas que tenha um dia feliz.

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PutaFeminismo

O 8 de Março visto por uma trabalhadora sexual

Iaglasnost
Camilla. Separada. Mãe de dois filhos. Minha nacionalidade não é importante. Sou uma mulher adulta, ainda bonita e, depois de ter tentado em vão outro emprego, porque eu tinha contas para pagar, decidi colocar um anúncio em um site e comecei a receber telefonemas de clientes potenciais. Eu não tinha ideia de qual seria meu trabalho, mas eu sabia de qual realidade eu vinha.

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PutaFeminismo

O machismo e a competição feminina

Clara Lobo
Dias atrás, uma amiga me confidenciou ter ouvido, no vestiário do dojo de artes marciais que frequento, uma conversa de quatro moças sobre a minha pessoa. Elas comentavam que eu era uma vagabunda por ter feito sexo com um dos colegas. Puseram-se a enumerar meus outros defeitos: eu era feia, não tinha peito nem bunda… enfim, elas não entendiam o que o rapaz vira em mim. Duas delas namoravam colegas do dojo, o que, no meu parco e parvo entendimento, fez-me crer que elas também tivessem feito sexo com eles, mas quem sou eu para alegar tal similitude de ações se eu era indubitavelmente a vagabunda, enquanto elas, indubitavelmente, não?

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