Prostitutas são despejadas e estupradas pela Polícia Civil em Niterói

Relato de Heloisa Melino para o Espaço Deriva

Em uma operação absolutamente ilegal os policiais da 76ªDP e da DEAM de Niterói na tarde desta sexta, 23, invadiram os 4 andares onde funcionavam salas de prostituição auto-organizadas, que também eram residência de diversas mulheres no prédio em cima da Caixa Econômica, no centro de Niterói.

A operação é parte do projeto de reurbanização (higienização) do centro. Sem mandado judicial os policiais invadiram diversos apartamentos, levaram mais de 100 mulheres pra delegacia e apreenderam bens. Mulheres foram agredidas e estupradas – policiais forçaram a fazerem sexo oral e colocaram as mãos nas genitais de mulheres. Ao final do dia, elas denunciaram o roubo de bebidas (cerveja, whisky, vodca e redbull) e dinheiro.

Uma mulher que trabalhou a semana inteira para poder fazer a festa de aniversário da filha neste sábado teve todo seu dinheiro roubado, inclusive ficando sem dinheiro de passagem. Um dos policiais que agrediram uma das mulheres gritava a quem quisesse ouvir: “Bati mesmo! Ela tava xingando palavrão” – como se isso fosse motivo para agredir uma mulher e como se aquelas mais de 100 mulheres tivessem que ficar quietas ao serem enfiadas juntas em um micro-ônibus de 20 lugares com mais de 50 mulheres. Esse mesmo policial disse “A juíza do inquérito não mandou levar ninguém pra DP, mas a gente trouxe, né?!” Reconhecendo que não tinha sequer autorização judicial para a ação.

É evidente que aquelas mulheres foram conduzidas à delegacia para que os policiais roubassem seus pertences e seu dinheiro. Fizeram e fazem isso com prostitutas pois têm certeza da impunidade e garantia de que a sociedade não ouvirá o grito delas. Um inquérito aberto desde outubro/2013 busca rufiãs entre essas prostitutas. Em abril, mais de 20 delas foram levadas ao presídio. As perdas dessas mulheres, seu choro e a falta de paz delas também estão na conta de todos vocês que são da Esquerda, mas são contra a regulamentação da prostituição.

Precisamos de vocês na rua em apoio às prostitutas, e não em debates contrariando um Projeto de Lei escrito por elas mesmas. Precisamos mostrar ao Poder Público que os movimentos sociais estão unidos e de olho e que NENHUMA MULHER SERÁ DEIXADA PARA TRÁS. Juntas e juntos temos força para evitar abusos futuros.

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