Marxismo para prostitutas

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Por MAGPIE CORVID em Salvage.zone

soymujer

Minha história é a mesma de muitos milhares de pessoas que se encontraram incapazes de encontrar trabalho estável e decentemente pago. Nossa história é sobre austeridade; nós estamos em todos os lugares, subsistindo através de escassos benefícios, empregos de meio período e alguns trabalhos ocasionais. Algumas de nós trabalham por conta própria; algumas de nós criam websites; algumas de nós consertam carros, e algumas de nós exercem trabalho sexual.
Eu entrei no trabalho sexual, assim como muitas outras pessoas, como uma solução simples para escapar dos terríveis riscos da pobreza. Eu não me tornei uma trabalhadora sexual por conta de uma história de vida comovente. Não me tornei uma trabalhadora sexual por conta de ser mentalmente doente, ou ter alguma história de abuso, ou por ter problemas com meu pai, ou por querer chamar a atenção. Em algumas vezes é fácil e em outras, difícil, e não é um trabalho para todo mundo, mas trabalho sexual é meu trabalho. É um trabalho que eu posso exercer, e no qual eu sou boa; ele me sustenta. Quando eu vendo minha sexualidade como um produto, a única diferença entre mim e outra prestadora de serviço, ou outra performer, está na natureza sexual do trabalho. Obviamente, trabalho sexual pode ser intenso, e perigoso, e obviamente torná-lo ilegal não faz nada para aliviar estes fatores. A ativista Jenny Pearl, do English Collective of Prostitutes, disse:

“Eu saio para trabalhar por causa da pressão econômica. Benefícios não cobrem o custo do gás, energia, taxa de água, substituição de equipamento doméstico. Não posso viver de benefícios por um prazo longo. Quando preciso de botas ou sapatos eu não posso comprá-los. A maioria das outras garotas ou mulheres que encontrei nas ruas estão lá por razões similares, puramente para manter suas famílias unidas, seus filhos cuidados. Isso lhes dá um pouco de controle sobre quando ligar o aquecimento ou não, ao invés de ficarem na cama cobertas para ficar aquecidas. Elas saem por uma hora e fazem dinheiro o suficiente para pagar a conta. Às vezes este é o único controle, a única escolha que nós temos em nossas vidas. Nós podemos ficar na cama, vivendo na miséria, sobreviver de pão e geleia, mas pessoalmente eu sinto que mereço mais, assim como minha filha. Então escolhi ir às ruas e ganhar algum dinheiro por que quero uma vida melhor. O que eu faço não é desonesto. É trabalho pesado. Não o faria se tivesse outra escolha. Mas agora que tenho registro criminal, este é o único trabalho que posso fazer que me permite ganhar algum dinheiro sem negligenciar minha filha. Por causa da discapacidade de minha filha, quando eu saio preciso ganhar 60 euros apenas para cobrir os custos da cuidadora, antes de ganhar o dinheiro para pagar as contas.”

Eu não nasci na pobreza; fui criada numa família de classe média, e destinada por meus pais a ser um foguete no Sonho Americano. Mas antes de me tornar uma trabalhadora sexual, eu estava sem dinheiro, morando num porão alugado. Dois anos no trabalho sexual e estou vivendo uma vida decente, num casamento maravilhoso e numa situação financeira equalitária com meu marido, e estou capaz de me salvar de uma hipoteca e ter tempo suficiente para me dedicar à escrita e à política.
Então por que motivo – quando superficialmente parece que eu ascendi por meus próprios meios – por que motivo eu sou Marxista?

Eu sou Marxista por que a Puta Imaginada* – a trapaceira, a enganadora, a traficada, a oprimida, a louca, a andarilha, a cortesã, a dominatrix – é usada como uma ferramenta para manter as mulheres na linha, e sob o jugo do controle patriarcal. Não é à toa que o feminismo hegemônico, o feminismo corporativo, o feminismo de Angelina Jolie e Sheryl Sandbergs neste mundo, então campeão na indústria do resgate; que fabrica estatísticas, uma máquina de mentiras que confunde trabalho sexual voluntário com tráfico sexual. Se o feminismo corporativo quer libertar mulheres, por que não começa pelas trabalhadoras migrantes clandestinas da América? Por que não começa com as que sofrem com terríveis condições de trabalho, sem direito de mudar de empregador, sob o amarrado sistema de vistos do Reino Unido? Elas não vão, por que ainda querem as marginalizadas e controladas limpando seus quartos, depenando suas galinhas e cuidando de suas crianças. Mas não como prostitutas; nunca como prostitutas.

O feminismo da indústria do resgate é um feminismo encarcerador, que reforça o poder do Estado, que “resgata” com prisões. O novo conjunto de leis anti trabalho sexual e estratégia policial é atacar as ferramentas de rastreamento de profissionais do sexo, como os nossos anúncios on line e ferramentas de verificação de identidade, tornando todas nós menos seguras, sob a égide de combater o tráfico sexual. O Stop Advertising Victims of Exploitation (SAVE) Act nos Estados Unidos e a série de ataques de alto perfil contra as trabalhadoras sexuais baseadas em internet, o Canada’s Bill C-36, que restringe os anúncios e criminaliza os clientes, juntamente com a adoção de leis que criminalizam o cliente através da Europa significa que trabalhadoras sexuais são jogadas nas prisões mais seguidamente, e nosso trabalho se torna mais difícil, e cada vez mais perigoso.

Aquelas que fazem parte da própria elite do movimento feminista – mulheres como Gloria Steinem e Germaine Greer – defendem este trabalho como um nobre resgate. Elas foram cativadas pela Puta Imaginada e ignoram a realidade das trabalhadoras sexuais. A polícia realiza incursões periódicas no Soho e encontra muitas trabalhadoras sexuais, mas raramente aquelas que foram traficadas, no entanto rotula trabalhadoras sexuais que atuam em conjunto como traficantes e cafetões/cafetinas. À medida em que o novo regime se estabelece, nos países onde clientes são criminalizados, o trabalho fica escasso, a triagem torna-se mais difícil e aquelas que estão verdadeiramente à margem na cena do trabalho sexual, onde a coerção pode muito bem estar ocorrendo, recuam ainda mais para as sombras. E é por que eu estou realmente empenhada em buscar soluções que abordem a situação daquelas que estão realmente coagidas ao trabalho sexual, e não estou disposta a aceitar uma abordagem superficial que simplesmente empurra a coerção pra fora do palco, eu sou uma Marxista.

Eu sou uma Marxista por que eu sei que das mulheres é esperado que se tornem avatares do desejo sexual masculino, mas se uma mulher vende suas habilidades e apelo, sintoniza-os, e vê seu trabalho como um desafio, então toda a sua arte, condução e ingenuidade é reduzida à venda de seu corpo. E eu sou uma Marxista por que nós todas vendemos nossos corpos, nosso tempo e nossa vontade a nossos chefes, nossas famílias, nossos países, nossas religiões, nossos amantes e nossos amigos, mas é a Prostituta Imaginada que nos permite manter distanciamento sobre todas as inúmeras maneiras que prostituímos a nós mesmas. Quando as vemos, as prostitutas, alinhadas e sendo filmadas após uma batida, expostas na televisão, nós não estamos vendo as reais trabalhadoras sexuais – interrompidas, expostas, tiradas do armário, privadas de trabalho, presas, perseguidas, deportadas – nós vemos as saias e os saltos. Nós não vemos a ambição de atravessar um oceano ou um país para sustentar uma família.


 

Pessoas em volta de todo o mundo, em sua maioria mulheres, muitas vezes mães, se tornam trabalhadoras sexuais, muitas vezes para sustentar suas famílias. Se uma feminista radical diz a mim que meu trabalho é abominação, eu digo a ela que todo o trabalho é abominação, e a convido a descer de seu pedestal. Aqui embaixo, mulheres limpam peixes, e banheiros, e os fundilhos de deficientes e idosos. E algumas de nós executam o trabalho sexual. Eu fico ao lado dela contra a coerção, degradação, e temo por ser inegavelmente presente em algumas partes do trabalho sexual, mas se ela quer acabar com isso, convido-a a ficar comigo contra a austeridade, e a indignidade de que grande parte dos trabalhos para mulheres é impregnada. Deixo-a ficar do meu lado pela descriminalização. As abolicionistas oferecem as mais angustiantes histórias de mulheres sequestradas, enganadas e drogadas para a escravidão sexual, e postulam-se como herdeiras da tradição de Wilberforce, mas sem uma crítica ao capitalismo, à força coercitiva do mercado, nós não poderemos acabar com nenhuma forma de escravidão, coisa que, obviamente, nunca foi totalmente abolida.
Eu sou uma Marxista por que entendo que o tabu, a marginalização e a segregação do trabalho sexual não é intrínseca, como a massa de uma pedra atirada. Meu trabalho existe por causa do patriarcado, e muitas feministas sentem que a abolição do meu trabalho seria um benefício para todas as mulheres. Mas é um feminismo equivocado que quer prender e aterrorizar trabalhadoras sexuais, e sacrificar nossa segurança, liberdade e meios de subsistência em troca do troféu sem valor por um bordel interditado. O feminismo encarcerador não tem problemas em interditar bordeis e forçar suas ocupantes a trabalhar como costureiras. Mas para uma socialista, o feminismo interseccional deve ouvir as vozes das trabalhadoras sexuais, ao invés de ignorá-las e tratá-las como símbolos. Enquanto a corte norte-americana desvia trabalhadoras sexuais para seus programas baseados na fé, profissionais do sexo se organizam para compartilhar segurança e triagem de informações. Certamente poderíamos fazer ainda mais para melhorar as nossas condições de trabalho se a polícia e a sociedade parassem de nos tratar como alvos.

Eu reconheço que meu trabalho é privilegiado em relação ao de muitas outras trabalhadoras sexuais. Mas como uma Marxista eu entendo que se elas não são livres para escolher – ou não escolher – trabalho sexual e se organizar para ter melhores condições de trabalho, então nem eu sou; e a liberdade definitiva e segurança para trabalhadoras sexuais em nosso trabalho é que seja visto como um trabalho. Milhões e milhões de trabalhadores através do mundo, a esmagadora maioria dos quais não são profissionais do sexo, trabalham em péssimas condições abaixo de maior ou menor grau de coerção. Há, de fato, muitos milhões de escravos modernos – mais do que nunca antes já houve – e a imensa maioria atua em ramos que não fazem parte de trabalho sexual. A Puta Imaginada é muitas vezes, um porta-estandarte para as campanhas contra a escravidão moderna, mas a solução para a escravidão moderna, mesmo a parte disso que envolve trabalhadoras sexuais, não é – como a indústria do resgate clama – criminalizar a venda ou compra de serviços sexuais. A solução pode estar em inúmeras coisas, tudo o que seria totalmente inaceitável para um governo mainstream. O que seria acabar com o flagelo da escravidão moderna? Pra começo, um radical re-pensamento sobre fronteiras e migração, e então aquelas pessoas que migram para trabalho teriam todos os direitos e serviços que os cidadãos do país tem. Adicione a isso um dramático incremento nos poderes dos sindicatos e a total descriminalização do trabalho sexual, sem a legalização restritiva de países como a Alemanha, que se limitou a sujeitar as trabalhadoras sexuais em massa ao regime opressor dos bordéis. E uma parte fundamental da solução seria um esforço para acabar com a pobreza, a começar por um programa de renda mínima.

Eu nutro uma pequena esperança de que a esquerda tradicional – em todas as suas formas, do Labour Party ao anarquismo – venha a abraçar de todo o coração o movimento pelos direitos das trabalhadoras sexuais em breve. Há muitas vozes de liderança no movimento de profissionais do sexo que desconfiam do feminismo e de qualquer coisa que cheire a Estado, e estão bem aconselhadas a serem cautelosas; a Puta Imaginada imprimiu de forma muito poderosa uma marca na consciência da esquerda, e nas noções de sua história intelectual. Dworkin a invocou (à Puta Imaginada) quando disse:
“Prostituição é por si mesma um abuso do corpo da mulher. Aquelas de nós que dizem isso são acusadas de estar sendo simplórias. Mas prostituição é muito simples – na
prostituição, nenhuma mulher fica inteira. É impossível usar um corpo humano do modo que o corpo das mulheres é usado na prostituição e ter um ser humano completo ao final,
ou na metade disso, ou perto do início disso. É impossível. E nenhuma mulher fica inteira novamente mais tarde, depois.”

E mesmo aquelas feministas que reivindicam ser mais compreensivas com o Marxismo, como Gayle Rubin e Catherine Mackinnon, essencialmente escreveram de classe para fora, condensando-o em um mero atributo, ao invés de uma relação dinâmica no seio da sociedade. Como Broke Beloso disse em seu manifesto de 2012, ‘Sex, Work, and the Feminist Erasure of Class’,

“Estando ausente a conceitualização de classes de Marx como uma relação dinâmica sob o capitalismo, feministas escrevem sobre o trabalho sexual na esteira de MacKinnon e Rubin, geralmente não conseguindo distinguir entre a mulher-como-trabalhadora e o sexo como ‘o produto específico de trabalho individual’. Ao invés disso, feministas tendem a fundir os dois, sempre vendo prostitutas como vítimas a quem sempre acontece de serem mulheres (ou garotas) mas nunca trabalhadoras.”

Apesar de terem existido muitas alianças entre o movimento de trabalhadoras sexuais e o feminismo mainstream durante os primórdios da segunda onda do feminismo, a predominância de ideias essencializantes sobre trabalho sexual dentro do feminismo radical quebrou esta aliança. Atualmente ativistas pelos direitos das trabalhadoras sexuais frequentemente usam a linguagem do feminismo interseccional e teoria do privilégio, e tratam do assunto em termos de justiça social e econômica, mas mesmo neste recente ano do feminismo, as ideias de vozes condutoras como Melissa Gira Grant se mantiveram fora do mainstream. Do mesmo modo, mesmo com toda a campanha contra a austeridade, a questão dos direitos das trabalhadoras sexuais se manteve à margem.
A feroz e anárquica bênção de nossos tempos é a Internet, e através dela as trabalhadoras sexuais são capazes de falar ao público sem a mediação de ativistas, academicistas ou partidos políticos. O Red Umbrella Project de Nova Iorque recentemente alcançou manchetes internacionais quando conduziu um estudo sobre o programa dos tribunais do Brooklin de detenções por prostituição; ao invés de prisão, se oferecia aulas obrigatórias, que iam de habilidades para a vida a yoga. As ativistas de RedUP participaram de processos judiciais, monitorando e analisando-os, e determinaram que os mesmos eram racistas e continuamente atuavam na marginalização dos réus. A partir dos resultados, elas se engajaram diretamente em políticas, tomando para si o papel altamente privilegiado de pesquisadores.

No Reino Unido, trabalhadoras sexuais tomaram a política em tempestade, decisivamente barrando a tentativa de novembro das abolicionistas de emplacar a criminalização de clientes dentro do Modern Slavery Bill. O English Collective of Prostitutes (ECP), que liderou o esforço, está considerando esta vantagem como uma promessa simples em apoio à descriminalização total do trabalho sexual. Eles sempre tiveram um foco sobre a relação entre pobreza e trabalho sexual, particularmente em relação a mães solteiras, e sua esperança é de que esta campanha, destinada a sindicatos, vai tornar visível o amplo apoio à descriminalização, e forçará um difícil mas necessário debate. Já se pode ver alguns resultados; a título pessoal, Austin Harney, representante do Ministério da Justiça, disse à ECP:

“Não é do interesse de nenhum sindicato por as vidas das trabalhadoras sexuais em perigo, em especial por que elas tem direito a pagamento, termos e condições, em conformidade com os direitos de todas as trabalhadoras. Criminalizar clientes irá, unicamente, exacerbar as limitações de segurança para trabalhadoras sexuais que poderiam enfrentar ataques fatais no submundo do crime e ser submetidas a falsas prisões pela polícia que supostamente deveria proteger inocentes. Trabalhadoras sexuais não são uma ameaça à sociedade e devem ser bem-vindas em solidariedade com todas as comunidades que enfrentam a destruição em uma época de austeridade!”

Enquanto isso, boa parte da esquerda é deixada pra trás. Enquanto o Green Party, os Liberal Democrats, e mesmo alguns elementos do Labour Party avançaram sobre a questão dos direitos das trabalhadoras sexuais, alianças como Left Unity e grupos revolucionários independentes estão ainda debatendo se trabalho sexual é trabalho ou não. Emprestando credibilidade a ideias antiquadas sobre a utilidade essencial do trabalho sexual, estes grupos fortalecem pânicos morais conservadores e contribuiem para a marginalização das trabalhadoras sexuais, bem como ignoram as vozes de algumas das pessoas mais afetadas pelas políticas de austeridade. A esquerda espera tirar inspiração da vitória sem precedentes do SYRIZA na Grécia, e sua bem sucedida estratégia de desenhar conexões entre diferentes tipos de marginalização. Mas mesmo o SYRIZA mostrou-se carente em questões como direitos LGBT; ao mesmo tempo que prometeu abrir parcerias civis, voltou atrás na questão da adoção por pessoas LGBT. Resta saber se o Syriza recuará de forma semelhante nas questões relativas aos direitos das trabalhadoras sexuais.

Que a esquerda britânica em grande parte ignore ou despreze os direitos das trabalhadoras sexuais é uma oportunidade perdida, mas essa ignorância não vai nos impedir de fazer as conexões necessárias entre nós mesmas. É minha crença que trabalhadoras sexuais possam reconstruir a Puta Imaginada em sua real imagem, sem a orientação de qualquer sábio ou partido.

Desde que me afastei da esquerda organizada, nunca fiz tanta política. Trabalhadoras sexuais e muitos outros grupos, estão descobrindo que podemos construir uma comunidade mundial real, e campanhas efetivas, fermentadas pelas mídias sociais. Apoiadores de Monica Jones, uma mulher negra e transexual que foi presa por “manifestação de prostituição” em 2013, construíram uma campanha internacional que expôs de modo incisivo as intersecções de raça, classe, identidade trans e trabalho sexual. Quando as acusações foram anuladas em recurso, sua campanha vitoriosa havia deixado uma rede forte e orgânica em sua esteira, com uma política e um feminismo decididamente radical, com uma crítica robusta à austeridade.

O aumento brilhante da resistência das trabalhadoras sexuais com as leis e morais que nos criminalizam é parte de uma resistência mais ampla à austeridade, mas continua em aberto se o movimento global contra a austeridade reconhecerá as trabalhadoras sexuais como camaradas nesta luta.

Eu sou parte de ambos os mundos, ambos os movimentos, mas na minha esperança de que o feminismo e a esquerda organizada vai se libertar da Puta Imaginada e abraçar a luta pelos direitos das trabalhadoras sexuais, eu sou uma Marxista.

* Devo este conceito a Melissa Gira Grant e seu essencial Playing the whore, cujo conceito mais poderoso é “a prostituta imaginária”.

 

 

 

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